Blog de Jarley Nóbrega
Artigos com o marcador gravadoras
Quem precisa de uma grande gravadora?
27/08/08
Essa foi a pergunta feita em uma reportagem da revista Rolling Stone, publicada em Maio aqui no Brasil. O texto do jornalista Evan Serpick detalha como um grupo de músicos está ganhando mais dinheiro distribuindo os seus trabalhos de graça do que simplesmente colocando o material à disposição de uma grande gravadora. E quem pensa que esses grupos são formados por bandas de garagem, que lançam uma demo no MySpace e convidam os amigos para visitar a página, está enganado. Gente como Radiohead, Nine Inch Nails, Eagles, Madonna e The Black Crowes já vendem material na rede sem o suporte de uma gravadora.
A reportagem mostra que alguns artistas lançam seus trabalhos em esquemas de distribuição pouco convencionais. O Eagles passou a distribuir os seus discos exclusivamente através da rede de supermercados Wal-Mart. Caras como Jimmy Buffet simplesmente criaram a sua própria estrutura de distribuição, através de um selo próprio (em 2005 ele ganhou 44 milhões de dólares vendendo discos assim). Aqui no Brasil, Lobão teve a sua carreira renascida das cinzas quando resolveu vender o seu trabalho em bancas de jornais. Até o Metallica, que sempre foi contra a distribuição de música entre seus fãs, se rendeu à rede e liberou duas faixas de seu novo disco (“The Day That Never Comes” e “My Apocalipse”).
A idéia de parte dessas bandas é trocar a dependência das gravadoras pela dependência dos fãs (afinal, são eles que compram os discos, em última instância). Bandas como Nine Inch Nails resolveram distribuir o seu trabalho de graça na rede em formato MP3. Para os fãs mais assíduos da banda, eles também colocaram à disposição CD’s autografados pelos membros da banda e outras versões com capa e livreto encartado, todos eles pagos. O resultado? Venderam quase 2 milhões de dólares apenas na primeira semana (o disco anterior vendeu menos da metade disso em um ano inteiro). O Radiohead conseguiu ganhar 5 milhões de dólares distribuindo as suas músicas de graça (você paga se quiser pelos arquivos, em uma média de 6 dólares o pacote de música).
Aqui no Brasil temos o exemplo da CSS (acrônimo para Cansei de Ser Sexy) que já engrenou uma sólida carreira internacional distribuindo as suas músicas gratuitamente. Recentemente, eles participaram dos festivais de Reading (UK) e Lollapalooza (US), dois dos mais famosos e respeitados eventos de música alternativa, o que apenas comprova o alcance da web na distribuição de conteúdo digital.
E quanto a ganhar dinheiro distribuindo software de graça? Alguém consegue postar algum comentário sobre um caso de sucesso na distribuição de programas de computador (ou serviços, em um esquema SaaS)? Quando eu falo de sucesso, assuma que as doações ultrapassaram em muito os custos de produção do software.